Vistos de residência em Portugal — as opções para compradores de fora da UE — ilustração do guia Lisbon Property
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Vistos de residência em Portugal — as opções para compradores de fora da UE

Uma visão honesta das opções de visto de residência em Portugal para cidadãos de fora da UE — D7, D8, D2, Golden Visa e o caminho até à residência permanente e à cidadania.

Se não é cidadão da UE, do EEE ou da Suíça, precisa de um visto para viver em Portugal por mais de 90 dias em qualquer período de 180 dias. Para quem compra casa e planeia passar aqui temporadas longas — ou mudar-se de vez — escolher bem o visto de residência é uma das primeiras coisas a acertar.

Portugal tem vários caminhos. Nenhum é difícil, mas servem situações diferentes, e a escolha errada pode custar meses de espera ou um pedido recusado. Esta é uma visão honesta das principais opções e de como pensar sobre qual se adequa ao seu caso.

Este é um guia, não aconselhamento jurídico. Trabalhamos com um pequeno grupo de advogados de imigração independentes e recomendamos que contrate um cedo — o custo é modesto face ao tempo que poupa e aos erros que evita.


As opções num relance

VistoA quem serveRendimento / investimento mínimo
D7 — Rendimentos PassivosReformados, pensionistas, quem tem rendimentos de rendas ou de investimentos~€1.020/mês por requerente
D8 — Nómada DigitalTrabalhadores remotos empregados por uma empresa estrangeira~€3.480/mês
D2 — EmpreendedorQuem cria ou transfere um negócio para PortugalPlano de negócios + capital
Golden Visa (ARI)Investidores com €500K+ em fundos ou empresas elegíveis€500K+ (imobiliário já não conta)
D3 — Atividade Altamente QualificadaProfissionais com competências especializadas, com contrato de um empregador portuguêsOferta de emprego obrigatória
Reagrupamento FamiliarCônjuges, parceiros e dependentes de um residenteLigado ao estatuto do requerente principal
Visto de estudanteInscritos numa instituição de ensino portuguesaComprovativo de matrícula + meios de subsistência

Todos os vistos acima conduzem a uma autorização de residência. Após 5 anos de residência legal, pode pedir a residência permanente ou a cidadania portuguesa (sujeita a teste de língua portuguesa e a registo criminal limpo).


D7 — o visto de rendimentos passivos

Ilustração — Vários cartões de visto identificados, lado a lado, junto a um passaporte e uma lupa

O D7 é o visto mais acessível para cidadãos de fora da UE com rendimentos regulares de origem não portuguesa. Reformados com pensão, pessoas com rendimentos de rendas ou de investimentos, freelancers com clientes estabelecidos no estrangeiro — todos costumam qualificar-se. Não há investimento mínimo, nem patrocínio de um empregador, nem plano de negócios.

O D7 é o visto que a maioria dos compradores internacionais com quem trabalhamos acaba por usar.

Guia completo do visto D7 →


D8 — o visto de nómada digital

Lançado em outubro de 2022, o D8 — o visto para nómadas digitais — foi desenhado especificamente para trabalhadores remotos cujos rendimentos vêm de fora de Portugal. Há duas vertentes:

  • D8 de estada temporária — até um ano, processo mais simples, não conduz diretamente à residência permanente.
  • D8 de residência — autorização de residência plena, renovável, elegível para residência permanente e cidadania após 5 anos.

Limiar de rendimento: cerca de €3.480 por mês (4× o salário mínimo português). É bastante mais alto do que os €1.020 do D7, mas o pedido é, de resto, semelhante — comprovativo de rendimentos, contrato de trabalho ou contratos de prestação de serviços, alojamento em Portugal, certificado de registo criminal.

O D8 é a escolha certa se trabalha remotamente para um empregador não português ou gere um negócio que fatura a clientes fora de Portugal. Se os seus rendimentos são exclusivamente passivos (pensões, dividendos, rendas), o D7 é mais simples e o limiar é muito mais baixo.


D2 — o visto de empreendedor

Ilustração — Um cartão de autorização de residência e um certificado de cidadania junto a uma pequena bandeira e um passaporte

O D2 (visto para empreendedores / atividade independente) destina-se a cidadãos de fora da UE que criam um negócio em Portugal ou transferem para cá um negócio existente. É mais complexo do que o D7 ou o D8 — precisa de um plano de negócios credível, de prova de capital e, idealmente, de um contabilista ou advogado português para ajudar a estruturar a empresa.

O que precisa de demonstrar:

  • Um plano de negócios com projeções realistas
  • Capital suficiente para lançar e sustentar o negócio (tipicamente €5.000+ no mínimo, mas espera-se mais)
  • Uma empresa portuguesa já constituída, ou um plano claro para a constituir
  • Prova de que o negócio cria valor em Portugal (emprego, serviços, exportações)

O D2 adequa-se bem a consultores, prestadores de serviços profissionais, fundadores que transferem um negócio pequeno ou remoto, e a quem quer colocar o seu trabalho e a sua base fiscal em Portugal. Não é o caminho certo se procura apenas residência passiva — o D7 é mais simples.


Golden Visa — o que resta

O Golden Visa português (Autorização de Residência para Investimento — ARI) foi historicamente o programa de residência mais mediático, com compras de imóveis de €500.000+ a dar acesso a residência. O investimento imobiliário foi retirado do programa em outubro de 2023. Já não é possível obter um Golden Visa comprando um imóvel — nem diretamente, nem através de fundo, nem por qualquer estrutura ligada a imobiliário português.

O Golden Visa continua a existir, mas apenas através de:

  • Fundos de investimento — €500.000+ em fundos portugueses elegíveis de capital de risco ou private equity.
  • Criação de empresas — €500.000+ numa empresa portuguesa que crie pelo menos 5 postos de trabalho (ou 8 em territórios de baixa densidade).
  • Donativos culturais / científicos — €250.000+ para o património cultural português ou €500.000+ para investigação científica.

O grande atrativo do Golden Visa é a estada mínima exigida: apenas 7 dias por ano. Para investidores que não querem realmente viver em Portugal, mas querem direitos de residência na UE e o caminho para a cidadania após 5 anos, continua a ser interessante. Para a maioria dos compradores que planeiam passar cá tempo a sério, o D7 ou o D8 é mais simples e mais barato.


D3, reagrupamento familiar e outras vias

Algumas vias menos comuns mas úteis:

D3 — Visto de Atividade Altamente Qualificada. Para profissionais com competências especializadas, com contrato de um empregador português. Profissionais de tecnologia, académicos, consultores seniores. Exige contrato de trabalho.

Reagrupamento familiar. Cônjuges, unidos de facto, filhos dependentes e pais dependentes de um residente podem pedir residência ao abrigo do estatuto do requerente principal. Usado com frequência por clientes que se estabelecem primeiro com um D7 ou D8 e trazem a família depois.

Visto de estudante (D4). Para cidadãos de fora da UE inscritos numa universidade, instituto politécnico ou instituição de formação reconhecida em Portugal. Direitos de trabalho limitados; convertível num visto de trabalho ou de residência após a conclusão dos estudos.

Visto para procura de trabalho. Um visto de 120 dias (prorrogável uma vez, até 180) criado para permitir a cidadãos de fora da UE entrar em Portugal à procura de emprego. Útil se o seu plano D2 ou D3 ainda não está fechado mas quer estar no terreno.


O caminho até à residência permanente e à cidadania

É isto que torna os programas de residência portugueses atrativos mesmo para compradores que, à partida, não planeiam deixar definitivamente o país de origem:

  • Anos 1–2: autorização de residência inicial (emitida por 2 anos)
  • Anos 3–5: renovada por mais 3 anos
  • Após 5 anos de residência legal: elegível para pedir a residência permanente ou a cidadania portuguesa (sujeita a teste de língua, registo criminal limpo e prova de ligação efetiva ao país)
  • Cidadania portuguesa = um passaporte da UE, com o direito de viver e trabalhar em toda a UE/EEE/Suíça

Dois detalhes importantes:

Estada mínima. Os titulares de D7, D8 e D2 têm de passar pelo menos 6 meses por ano em Portugal (183 dias), ou 8 meses em qualquer período de 24 meses, para manter a residência. Os titulares de Golden Visa precisam apenas de 7 dias por ano. Comprar casa em Lisboa não altera estes mínimos; apenas satisfaz o requisito de alojamento.

Residência fiscal. Passar 183+ dias em Portugal também o torna residente fiscal português, com os rendimentos mundiais sujeitos a imposto em Portugal. É uma questão separada do estatuto de imigração. O nosso guia de residência fiscal explica as implicações.


Como escolher

Pense em três perguntas:

  1. De onde vêm os seus rendimentos? Pensão, dividendos, rendas → D7. Trabalho remoto por conta de outrem ou freelance → D8. Um negócio que controla → D2 ou Golden Visa.
  2. Quanto tempo planeia realmente passar em Portugal? 6+ meses por ano → D7/D8/D2. Só quer direitos de residência na UE sem se mudar → Golden Visa.
  3. Tenciona pedir a cidadania? Todas as vias lá chegam após 5 anos. O visto com que começa não muda o teste de cidadania.

Para a maioria dos compradores com quem trabalhamos — clientes internacionais que compram um apartamento em Lisboa para passar cá temporadas longas — a resposta é o D7. Para trabalhadores remotos com menos de 50 anos e rendimentos altos, o D8. Para os restantes, uma conversa de 30 minutos com um advogado de imigração costuma bastar para traçar o caminho certo.


O que a compra de um imóvel significa para o seu pedido

Comprar casa em Lisboa não lhe dá, por si só, direito a residência. Mas ser proprietário reforça qualquer um dos pedidos de visto acima de três formas:

  1. Satisfaz o requisito de alojamento. Tem uma morada permanente em Portugal — a escritura é prova aceite.
  2. Demonstra uma ligação genuína ao país. Os consulados e a AIMA (a autoridade de imigração) veem-no com bons olhos.
  3. As rendas de imóveis em Portugal podem contar para o limiar de rendimento do D7, se arrendar o apartamento quando não está cá.

Muitos dos nossos clientes compram primeiro e pedem a residência depois de o imóvel ser deles. Outros pedem primeiro, usando um contrato de arrendamento de longa duração como prova de alojamento, e compram depois de chegar. Qualquer das ordens funciona.


Perguntas frequentes

Preciso de visto para comprar casa em Portugal? Não. Qualquer pessoa pode comprar um imóvel em Portugal, independentemente da nacionalidade ou do estatuto de residência. Só precisa de um NIF e de uma conta bancária portuguesa.

Posso obter residência comprando um apartamento em Lisboa? Não diretamente — o imobiliário saiu do Golden Visa em outubro de 2023. Pode usar a propriedade para reforçar um pedido D7, D8 ou D2, mas o visto em si é concedido com base em rendimentos, trabalho ou negócio, não na compra do imóvel.

Qual é o rendimento mínimo do D7 em 2026? Cerca de €1.020 por mês para o requerente principal, com acréscimos por cônjuge e dependentes. O valor exato acompanha o salário mínimo português e é atualizado anualmente.

Quanto tempo demora o processo de residência? Da decisão ao cartão de residência, tipicamente 6–12 meses para D7/D8/D2. O Golden Visa está atualmente mais lento (12–24 meses) devido a atrasos na AIMA.

Posso pedir a cidadania após 5 anos? Sim — sujeita a um teste de língua portuguesa (nível CIPLE A2), a registo criminal limpo e a prova de ligação efetiva ao país. A maioria dos nossos clientes de longa data passa no teste de língua com alguns meses de aulas de português.

O meu cônjuge precisa de um visto separado? Não — pode ser incluído no seu pedido por reagrupamento familiar, ou candidatar-se separadamente se a situação dele se adequar a outra via.

O que é a AIMA? A Agência para a Integração, Migrações e Asilo — a autoridade de imigração portuguesa, que substituiu o SEF em 2023. A AIMA trata de todos os pedidos e renovações de autorizações de residência depois de estar em Portugal.


Onde obter ajuda

  • Advogado de imigração independente. Essencial para tudo o que vá além do D7 mais simples. Podemos apresentar-lhe advogados que trabalham especificamente com compradores internacionais.
  • Consulado português no seu país de residência. Todos os pedidos iniciais de visto começam aqui — marque cedo; a disponibilidade de agendamento é o principal estrangulamento para a maioria dos requerentes.
  • AIMA (já em Portugal). Trata da emissão e renovação das autorizações de residência dentro do país.

Se quiser conversar sobre qual a via de visto que se adequa às suas circunstâncias e como uma compra em Lisboa a pode apoiar, marque uma chamada gratuita. Damos-lhe uma leitura honesta do que faz sentido para a sua situação e apresentamos-lhe o advogado certo para seguir a partir daí.

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