Festas, festivais e eventos em Lisboa — o que há durante todo o ano — ilustração do guia Lisbon Property
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Festas, festivais e eventos em Lisboa — o que há durante todo o ano

Um calendário honesto, para todo o ano, das festas, festivais de música e eventos culturais que marcam a vida em Lisboa — Santos Populares, Rock in Rio, Sónar, NOS Alive, Kalorama, Out Jazz, Web Summit e muito mais.

O ritmo de um ano em Lisboa é marcado pelas suas festas. Sardinhas em cada esquina em junho, jazz gratuito ao domingo nos parques todo o verão, as marchas populares a descer a Avenida da Liberdade na noite do dia 12, fogo de artifício sobre o Tejo na passagem de ano. Para quem quer comprar e tenta imaginar como será realmente a vida cá, o calendário de eventos públicos é uma das coisas mais úteis de perceber.

Este guia é uma visão de conjunto, para todo o ano, dos festivais e eventos que verdadeiramente moldam a vida social da cidade — o que são, quando acontecem e em que zonas de Lisboa se concentram. Quando um evento em particular merece um artigo próprio, deixamos a ligação.

Porque é que isto conta na hora de escolher onde comprar

Alguns dos eventos abaixo são à escala da cidade; outros estão fortemente ligados a bairros específicos. As marchas populares são uma questão da Avenida da Liberdade e de Alfama; o Out Jazz roda por parques específicos; o Web Summit é um evento do Parque das Nações; o Caixa Alfama é, sem margem para dúvidas, de Alfama. Se um festival em particular lhe interessa — fado, jazz, conferências de tecnologia, surf — a resposta a onde comprar pode mudar em conformidade. Assinalamos as ligações aos bairros ao longo do guia.

O calendário anual — o que há, mês a mês

Ilustração — Uma sardinha assada sobre uma fatia de pão, ao lado de um vaso de manjericão

Janeiro

Passadas as multidões da passagem de ano, a cidade fica calma. As lojas fazem os saldos e o primeiro grande evento do ano é a Meia Maratona de Lisboa no final de março, mas janeiro é para respirar.

Fevereiro — Carnaval

Lisboa em si não faz o Carnaval como o Rio ou Sesimbra, mas há desfiles — a Sé, Loures e os subúrbios a sul organizam os seus. Os maiores carnavais portugueses ficam a uma hora, em Torres Vedras (o mais barulhento), Sesimbra (o mais bonito) e Loulé (o maior a sul). Muitos lisboetas aproveitam o fim de semana prolongado para sair da cidade.

Março — Meia Maratona de Lisboa, arranque do IndieLisboa

A Meia Maratona de Lisboa atravessa a ponte 25 de Abril desde Almada até ao centro de Lisboa — um dos eventos de corrida urbana mais espetaculares da Europa e um bom marco do primeiro fim de semana quente do ano.

Abril — Sónar Lisboa, IndieLisboa, 25 de Abril, Peixe em Lisboa

  • Sónar Lisboa — a edição lisboeta do lendário festival de música eletrónica de Barcelona, lançada em 2022. Três dias no início de abril em vários espaços — Pavilhão Carlos Lopes, LX Factory e outros — divididos entre Sónar by Day e Sónar by Night. Cartazes de eletrónica internacional e portuguesa, instalações audiovisuais e uma forte vertente de programação cultural. Um dos públicos mais internacionais que a cidade recebe numa semana. Com bilhete.
  • IndieLisboa — o principal festival de cinema independente da cidade, do final de abril ao início de maio. Sessões espalhadas por salas no Chiado, Príncipe Real e Avenidas Novas.
  • 25 de Abril (Dia da Liberdade) — o aniversário da Revolução dos Cravos de 1974. Concertos e comemorações na Avenida da Liberdade e no Marquês de Pombal. Cravos por todo o lado. Um dos eventos públicos mais genuinamente comoventes do ano em Lisboa.
  • Peixe em Lisboa — um festival gastronómico de quinze dias que celebra o peixe e o marisco portugueses, normalmente no Pátio da Galé, junto à Praça do Comércio.

Maio — arranque das Festas de Lisboa, Happy Holi, Lisboa Soa

  • Festas de Lisboa — o programa-chapéu organizado pela Câmara Municipal que envolve todo o final da primavera e o mês de junho. Abre em meados de maio com concertos, exposições e eventos culturais por toda a cidade, num crescendo até aos Santos Populares em junho.
  • Happy Holi Lisboa — o festival das cores de raiz sul-asiática, normalmente num fim de semana de maio, num grande espaço ao ar livre (edições recentes no Hipódromo do Campo Grande e na Doca de Santo Amaro). Lançamentos de pó colorido de duas em duas horas, bancas de comida e um cartaz de música cada vez mais virado para o house e a eletrónica. Familiar de dia, mais animado ao fim da tarde. Com bilhete.
  • Lisboa Soa — um festival de arte sonora que transforma os jardins, parques e espaços históricos de Lisboa em instalações e ambientes de escuta. Edições recentes na Tapada das Necessidades e na Estufa Fria. Mais próximo da arte ambiente, experimental e sonora do que da eletrónica de pista, mas uma referência para quem se compra atraído pela cena cultural contemporânea da cidade. Quase tudo gratuito.

Junho — Santos Populares, Rock in Rio

Este é o mês. Os Santos Populares são a maior celebração anual de Lisboa, e a cidade transforma-se à vista de todos — ruas decoradas com fitas de papel e vasos de manjericão, sardinhas a assar em cada esquina, música a jorrar de cada bairro a todas as horas. Os três dias dos santos são:

  • Santo António — a noite de 12 para 13 de junho. O maior. As marchas populares desfilam pela Avenida da Liberdade no dia 12; os arraiais duram a noite toda em Alfama, Martim Moniz, Bica, Bairro Alto e Madragoa. O dia 13 é feriado em Lisboa.
  • São João — 24 de junho. Maior no Porto do que em Lisboa, mas ainda assim celebrado.
  • São Pedro — 29 de junho. As comunidades piscatórias de Cascais e da Margem Sul são as que o levam mais a sério.

Temos um guia completo de Santo António → sobre as marchas, as rivalidades entre bairros, aonde ir de facto e o que esperar se for a sua primeira vez.

O outro peso-pesado de junho é um dos maiores festivais de Portugal:

  • Rock in Rio Lisboa — realizado de dois em dois anos (normalmente em anos pares; o próximo em 2026, depois 2028) no Parque da Bela Vista, em Marvila. Seis dias de grandes nomes internacionais e de língua portuguesa, repartidos por dois fins de semana, no final de maio e início de junho. Cabeças de cartaz do passado incluem Bruce Springsteen, The Rolling Stones, Foo Fighters, Bon Jovi, Iron Maiden e Post Malone. O festival atrai mais de 80.000 pessoas por dia; a zona à volta da Bela Vista, dos Olivais e de Marvila é marcada por ele durante quinze dias. Com bilhete.

Julho — NOS Alive, Super Bock Super Rock, Out Jazz, Brunch Electronik

O grande mês dos festivais.

  • NOS Alive — início de julho no Passeio Marítimo de Algés (mesmo a oeste de Alcântara). Um dos principais festivais de rock da Europa. Cabeças de cartaz do passado incluem Pearl Jam, The Strokes, Arctic Monkeys, Foo Fighters.
  • Super Bock Super Rock — meados de julho, três dias. As edições recentes têm sido no Parque Tejo, no Parque das Nações; historicamente, o festival tem alternado entre espaços ribeirinhos de Lisboa e a praia do Meco, do outro lado da ponte. Rock alternativo, hip-hop, indie e eletrónica; mais de 50.000 pessoas. Com bilhete.
  • EDP Cool Jazz — Cascais, julho. Jazz e pop internacionais no Parque Marechal Carmona.
  • Out Jazz — todos os domingos de julho e agosto, jazz e eletrónica ao vivo e de graça, num parque diferente da cidade a cada semana. Jardim da Estrela, Jardim do Torel, Parque Eduardo VII, Ribeira das Naus. Leve um farnel; é a experiência que define os domingos preguiçosos de um verão em Lisboa.
  • Brunch Electronik Lisboa — sessões de música eletrónica diurnas ao domingo, de final da primavera ao verão, rodando por espaços ao ar livre (edições recentes na Cidade do Cabo, no Parque das Nações, e na Doca de Santo Amaro). DJs internacionais e locais, ambiente de piquenique, tardes familiares que crescem até à noite. Faz parte de uma série internacional Brunch Electronik (Barcelona, Paris, Madrid). Com bilhete por sessão.
  • Festival ao Largo — ópera e música clássica gratuitas ao ar livre, no Largo de São Carlos (junto ao teatro de ópera, no Chiado). Meados de julho.
  • Jazz em Agosto começa a montar-se — final de julho, nos jardins da Fundação Calouste Gulbenkian.

Agosto — Jazz em Agosto, Kalorama, a cidade esvazia-se

  • Jazz em Agosto — início de agosto, na Gulbenkian. Jazz contemporâneo internacional num dos jardins mais bonitos de Lisboa.
  • Kalorama — final de agosto e início de setembro, no Parque da Bela Vista, em Marvila. Um dos festivais novos mais marcantes de Lisboa (lançado em 2022): três dias de indie, alternativo, eletrónica e pop com fortes cartazes internacionais. Nomes do passado incluem The Chemical Brothers, Florence + the Machine, Massive Attack, Underworld e Greta Van Fleet. Com bilhete.
  • A própria cidade esvazia-se na segunda metade de agosto. Muitos restaurantes fecham. Os locais vão para o Algarve, o Alentejo ou o norte. O Out Jazz continua; de resto, é sossego.

Setembro — Caixa Alfama, Lisb-On, a cidade regressa

  • Caixa Alfama — o grande festival de fado, três dias no final de setembro no Largo do Chafariz de Dentro e por toda a Alfama. Grandes fadistas atuam em vários palcos entrelaçados pelas ruas medievais. Um dos eventos culturais mais evocativos do ano em Lisboa.
  • Lisb-On Jardim Sonoro — o festival de música eletrónica caseiro de Lisboa, normalmente um fim de semana prolongado no Keil do Amaral, no parque florestal de Monsanto. House, techno e eletrónica experimental num anfiteatro arborizado. De dimensão média, cheio de atmosfera, muito querido pelos locais.
  • A cidade regressa das férias na primeira semana de setembro. Os restaurantes reabrem. Começa o corre-corre das escolas. A programação cultural recomeça.

Outubro — DocLisboa, Iminente, Maratona de Lisboa

  • DocLisboa — o festival de cinema documental da cidade, de meados a final de outubro, sobretudo no Cinema São Jorge, na Avenida da Liberdade.
  • Iminente — um festival multidisciplinar cofundado por Branko (Buraka Som Sistema), na zona ribeirinha de Belém. Música, arte urbana, dança e cinema com um forte cartaz de língua portuguesa e de eletrónica lusófona. Com componentes gratuitas a par de noites com bilhete.
  • Maratona de Lisboa — uma maratona completa, que também atravessa a ponte 25 de Abril. Meados de outubro.

Novembro — Web Summit, Lisboa Dance Festival

  • Web Summit — início de novembro, no complexo FIL/Altice Arena do Parque das Nações. Uma das maiores conferências de tecnologia do mundo (~70.000 pessoas). A cidade enche-se visivelmente de crachás, os preços dos hotéis disparam, e a zona ribeirinha a oriente torna-se o centro da tecnologia europeia durante uma semana.
  • Lisboa Dance Festival — o festival de eletrónica de interior de referência de Lisboa, normalmente um fim de semana prolongado em novembro, no Capitólio e noutros espaços fechados. House, techno e eletrónica de pista — o principal evento de dança de inverno da cidade. De dimensão média, com bilhete, e a data marcada no calendário da comunidade eletrónica residente de Lisboa.

Dezembro — mercados de Natal, fogo de artifício

  • Wonderland Lisboa — um mercado de Natal e zona de diversões no Parque Eduardo VII, de meados de novembro ao início de janeiro. Familiar, grande, com bilhete para algumas atrações.
  • Mercados de Natal — mercados mais pequenos na Praça do Comércio e por todo o Chiado e Príncipe Real.
  • Passagem de Ano — noite de fim de ano. Concerto público gratuito e grande espetáculo de fogo de artifício na Praça do Comércio. As multidões são enormes; a zona ribeirinha a oriente de Cais do Sodré tem uma vista mais tranquila.

Santos Populares — o que esperar se for novo por cá

Os Santos Populares são, de longe, a melhor forma de sentir o que significa viver em Lisboa. O guia completo está aqui, mas, em resumo:

  • As ruas enchem-se de decorações no final de maio e início de junho, com fitas de papel (mantas), luzes coloridas e vasos de manjericão — a planta simbólica da festa.
  • As sardinhas assam em cada esquina dos bairros históricos ao longo da segunda semana de junho. €5 dão-lhe uma sardinha assada no pão e uma imperial (cerveja pequena).
  • As marchas populares são grupos de desfile coreografados que representam cada bairro histórico — Alfama, Castelo, Bica, Bairro Alto, Madragoa, Graça, Martim Moniz e outros. Desfilam pela Avenida da Liberdade na noite de 12 de junho, sendo avaliadas por coreografia, guarda-roupa e música. É competitivo e intensamente local.
  • Casamentos de Santo António — a cidade casa dezenas de casais em cada 12 de junho, na Sé, numa tradição com décadas. As noivas desfilam depois pelas ruas.
  • Arraiais — festas de rua ao ar livre em cada bairro histórico, que se prolongam pela madrugada de 13. Cada bairro tem o seu.

Se vai comprar em Alfama, Martim Moniz, Bica, Bairro Alto, Graça, Madragoa ou em qualquer sítio junto à Avenida da Liberdade, os Santos Populares serão barulhentos, cheios de fumo e à sua porta durante duas semanas. A maioria dos residentes adora. Alguns acham demasiado. Vale a pena experimentar uma vez antes de decidir.

Cultura gratuita — o que a Câmara Municipal oferece

Ilustração — Uma pulseira de festival de música

A Câmara Municipal de Lisboa organiza um programa sério de eventos gratuitos ao longo de todo o ano, sob os chapéus das Festas de Lisboa e da EGEAC. O Out Jazz, o Festival ao Largo, o programa dos Santos Populares, a Lisboa Soa, concertos gratuitos no Castelo de São Jorge e um calendário constante durante todo o ano em espaços como a Casa Fernando Pessoa, o Padrão dos Descobrimentos e as várias bibliotecas municipais — quase tudo gratuito ou de baixo custo.

Para quem compara Lisboa com outras capitais europeias, o volume de programação cultural gratuita é genuinamente um atrativo. A cidade subsidia a cultura de uma forma que Paris ou Londres simplesmente não fazem.

Que bairros são melhores para as festas

O núcleo histórico — Alfama, Castelo, Bica, Bairro Alto, Martim Moniz, Madragoa, Graça — é o coração dos Santos Populares e do fado tradicional. São os bairros onde a identidade de bairro conta e de onde vêm as marchas. Viver aqui é viver dentro da festa.

O Chiado, o Príncipe Real e o eixo da Avenida da Liberdade são onde acontecem os grandes eventos cívicos — o Festival ao Largo, o desfile das marchas, os mercados de Natal, o 25 de Abril.

O Parque das Nações é a casa do Web Summit, do Super Bock Super Rock no Parque Tejo, de boa parte do Brunch Electronik e dos maiores eventos de arena na Altice Arena (antiga MEO Arena). Se vai a muitos concertos de estádio, isto conta.

Marvila e a zona ribeirinha oriental são onde ancoram agora os maiores festivais de música ao ar livre — o Rock in Rio Lisboa e o Kalorama acontecem ambos no Parque da Bela Vista. A transformação do bairro foi, em parte, impulsionada por estes eventos.

Alcântara e Belém ficam a uma distância a pé do NOS Alive em Algés, e a zona ribeirinha de Belém acolhe o Iminente a par do programa das Festas do Tejo, que decorre todo o ano.

Os parques ribeirinhos — Estrela, Eduardo VII, Torel, Belém, Ribeira das Naus, a Tapada das Necessidades — são os espaços rotativos do Out Jazz aos domingos de verão. Viver perto de qualquer um deles põe-lhe um concerto ao ar livre gratuito à porta durante dez fins de semana por ano.

Dicas para quem chega

  1. Leve dinheiro para os arraiais. As grelhas de sardinha, as bancas de bebidas e as pequenas roulottes de comida raramente aceitam cartão. €20 em notas pequenas garantem-lhe uma noite.
  2. O NOS Alive esgota com meses de antecedência. Se quer ir, compre quando os bilhetes forem lançados (normalmente dezembro–janeiro).
  3. Reserve restaurante para a noite de 12 de junho com muita antecedência se quer estar no centro histórico mas fora do fumo.
  4. A semana do Web Summit faz subir os preços dos hotéis por toda a cidade — útil saber se tiver família de visita no início de novembro.
  5. O Out Jazz publica o calendário no final de junho. Siga @outjazzlisboa no Instagram ou o site da EGEAC.
  6. O dia 13 de junho é feriado apenas em Lisboa. Bancos, escolas e a maioria dos escritórios da cidade estão fechados; o resto de Portugal trabalha.

Perguntas frequentes

Quando são os Santos Populares? A noite de 12 para 13 de junho (Santo António). O programa completo da festa decorre do final de maio até ao fim de junho.

Preciso de falar português para aproveitar as festas? Não. Os arraiais são sobre comida, música e estar na rua. Aponte para uma sardinha, sorria, entregue os €5.

Qual é a melhor festa para quem vai pela primeira vez? Vá a um arraial em Alfama, na Bica ou em Madragoa na noite do dia 12. É o mais autêntico e o mais acolhedor.

As festas são para famílias? Os arraiais prolongam-se pela noite, mas são eventos para famílias no início da noite — crianças na rua, decoradas com manjericos. O desfile das marchas é um espetáculo público que toda a gente vê.

Onde saber o que há

  • agendalx.pt — a agenda cultural oficial da cidade, todos os eventos.
  • EGEAC — o braço cultural municipal, que organiza as Festas de Lisboa e a maior parte da programação gratuita.
  • Time Out Lisboa — resumo semanal dos maiores eventos.
  • Câmara Municipal de Lisboa no Facebook e no Instagram, para anúncios de eventos de última hora.

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