Uma das primeiras perguntas que os compradores internacionais nos fazem é se conseguem obter crédito habitação em Portugal. A resposta é sim — vários dos principais bancos portugueses financiam ativamente compradores não residentes — mas as condições são diferentes das oferecidas a residentes, e a preparação pesa mais do que noutros mercados.
Conhecer a sua capacidade de financiamento antes de começar as visitas é essencial. Fazer uma proposta sem clareza sobre o crédito coloca-o numa posição fraca. Eis o que precisa de saber.
Diferenças-chave: crédito para não residentes vs residentes
| Não residente | Residente em Portugal | |
|---|---|---|
| LTV máximo | 70% | Até 90% |
| Prazo máximo | 30 anos (alguns bancos 40) | 40 anos |
| Taxa de juro | Spread ligeiramente mais alto | Spread mais baixo |
| Documentação | Mais extensa | Padrão |
O limite de 70% de LTV é o número mais importante a compreender. Significa que precisa de entrar com pelo menos 30% do preço de compra como entrada, mais os impostos e custos por cima (outros 6–8%). Para um imóvel de €500.000:
- Entrada mínima: €150.000 (30%)
- Impostos e custos: ~€37.000
- Total de capital necessário à partida: ~€187.000
Que bancos financiam não residentes?
Os principais bancos portugueses que oferecem ativamente crédito habitação a compradores não residentes incluem:
- Millennium BCP — um dos mais experientes com compradores internacionais; tem gestores de crédito que falam inglês
- Novo Banco — taxas competitivas; boa experiência com compradores franceses e britânicos
- Santander Portugal — boa opção para quem já tem relação com o Santander noutro país
- Caixa Geral de Depósitos — o maior banco público português; frequentemente mais competitivo nas taxas fixas
- BPI (detido pelo CaixaBank) — útil para compradores com ligações a Espanha
Trabalhamos com intermediários de crédito que sabem quais os bancos mais competitivos em cada momento e quais os mais eficientes com candidatos não residentes. O contexto das taxas de juro muda, por isso a comparação de taxas atuais deve ser feita com um especialista.
Taxa fixa ou variável?
O crédito habitação em Portugal é tipicamente oferecido como:
Taxa variável (Euribor + spread): A taxa de juro acompanha a Euribor a 3 ou 12 meses mais um spread fixo do banco (tipicamente 0,8–1,5% para não residentes). A prestação mensal varia com a Euribor. Era a norma quando as taxas estavam baixas; comporta mais risco em contextos de taxas altas.
Taxa fixa: Uma taxa de juro fixa durante um período definido (5, 10, 15 ou 20 anos), passando depois tipicamente a variável. A taxa fixa dá certeza na prestação, mas tende a ser ligeiramente mais alta do que a variável quando a Euribor está baixa.
Taxa mista: Fixa num período inicial, depois variável — cada vez mais comum.
A escolha certa depende da sua tolerância ao risco, do tempo que pensa manter o imóvel e do contexto de taxas do momento. Um bom intermediário de crédito modela os dois cenários para a sua situação concreta.
Documentação necessária
Os bancos portugueses são minuciosos. Prepare estes documentos com antecedência:
Para trabalhadores por conta de outrem:
- Recibos de vencimento dos últimos 3–6 meses
- Declarações fiscais dos últimos 2 anos (P60 no Reino Unido) e/ou contratos de trabalho
- Extratos bancários de 3 meses que mostrem o depósito do salário
- Passaporte e comprovativo de morada
Para trabalhadores por conta própria:
- Declarações fiscais dos últimos 2–3 anos (cópias certificadas)
- Carta de referência do contabilista a confirmar o nível de rendimento
- Extratos bancários da atividade (3–6 meses)
Para todos os compradores:
- Detalhes de créditos ou empréstimos existentes
- Prova dos fundos da entrada e da sua origem (as exigências de prevenção de branqueamento de capitais são rigorosas — precisa de demonstrar um rasto claro e documentado dos fundos)
A documentação de prevenção de branqueamento de capitais é levada a sério e pode demorar a reunir. Comece cedo.
Prazos
Obter uma proposta de crédito em Portugal demora tipicamente 4–8 semanas a partir da entrega do processo completo. O processo:
- Análise inicial (1–2 semanas): O banco analisa a candidatura e faz uma primeira avaliação do seu rendimento face ao empréstimo pedido
- Avaliação do imóvel (1–2 semanas): Com o imóvel sob proposta aceite, o banco encomenda a sua própria avaliação
- Proposta formal (1–2 semanas): O banco emite a proposta de crédito formal
- Conclusão: O crédito conclui-se no notário no mesmo dia da escritura
A avaliação e as verificações legais do imóvel correm em paralelo com o processo de crédito. Um bom advogado e um bom agente do comprador coordenam estes prazos para evitar atrasos desnecessários.
Financiamento a partir do seu país
Uma alternativa para alguns compradores — sobretudo quem tem capital significativo em imóveis no seu país — é financiar a compra em Portugal através de um crédito sobre o imóvel que já possuem (um remortgage ou equity release no Reino Unido, um HELOC nos EUA, um crédit hypothécaire em França).
Isto pode oferecer:
- Taxas de juro potencialmente mais baixas (consoante o mercado de origem e o perfil de crédito)
- Sem restrições de LTV portuguesas
- Documentação mais simples (o seu banco já o conhece)
A desvantagem é usar a sua casa como garantia de um investimento no estrangeiro, com risco cambial se o seu rendimento não for em euros.
A nossa recomendação
Trate do financiamento antes de começar as visitas. Saiba o seu preço máximo de compra incluindo custos e entrada. Obtenha uma pré-aprovação se possível — torna as suas propostas significativamente mais fortes e mostra a vendedores e agências que é um comprador sério.
Podemos pô-lo em contacto com intermediários de crédito especializados em crédito habitação para não residentes, que lhe darão uma imagem honesta do que pode pedir e em que condições. Marque uma chamada gratuita para começar.